TERMO DE FOMENTO Nº 304/2026 PROCESSO SCEC-PRC-2026-00159-DM Demanda 100870 UGE 120125
O Cinema sempre buscou na Literatura temas e argumentos que originaram filmes dos mais variados gêneros. Muitos desses filmes alcançaram grande sucesso de público e/ou se tornaram verdadeiros clássicos. A palavra escrita, ferramenta fundamental da Literatura, exige talvez mais esforço do que a imagem, para ser entendida pelo receptor. Mas ambas, palavra escrita e imagem, necessitam da mente humana no processo de definição do discurso. E a própria palavra “imaginar” já permite entender que todo pensamento humano se estrutura como imagem. Ou seja, o mundo só poderá ser pensado por intermédio da imagem. Após esse preâmbulo, queremos dizer que os filmes apresentados nas sessões CINEMA & LITERATURA procuram, de diversas maneiras, dar conta dessa relação entre a palavra escrita e a imagem, num processo que os estudiosos chamariam de transcodificação. E estes são os filmes, todos baseados em clássicos da Literatura Brasileira, selecionados para serem exibidos, de forma gratuita, nas sessões CINEMA & LITERATURA:
Vidas Secas (1963) O filme mostra a jornada de uma família de retirantes – Fabiano, Sinhá Vitória, os dois filhos e a cachorra Baleia – que foge da seca no sertão nordestino em busca de sobrevivência. O filme, integrante da primeira fase do Cinema Novo, é baseado no romance homônimo de Graciliano Ramos (1892-1953). Direção: Nelson Pereira dos Santos Elenco: Átila Iório, Maria Ribeiro, Jofre Soares, Genivaldo Lima, Gilvan Lima, Orlando Macedo, Pedro Santos, Maria Rosa, a cadela Baleia
Uma cena de Vidas Secas, mostrando Átila Iório, Maria Ribeiro e a cadela Baleia.
Macunaíma (1969) Macunaíma narra a história de um anti-herói, ou melhor, “um herói sem nenhum caráter”, nascido no fundo da mata virgem. De preto ele vira branco, ao passar por uma fonte milagrosa, e troca a mata pela cidade, onde vive incríveis aventuras, acompanhado de seus irmãos. Na cidade, nosso “herói”, segue um caminho surreal, conhecendo e amando a guerrilheira Ci e enfrentando o vilão milionário antropofágico Venceslau Pietro Pietra. Um dos últimos representantes do Cinema Novo, o filme é uma adaptação do romance Modernista homônimo de Mário de Andrade (1893-1945). Direção: Joaquim Pedro de Andrade Elenco: Grande Otelo, Paulo José, Dina Sfat, Jardel Filho, Milton Gonçalves, Rodolfo Arena, Joana Fomm
Grande Otelo (pseudônimo artístico de Sebastião Bernardes de Souza Prata, 1915-1993), numa cena de Macunaíma.
São Bernardo (1972) Paulo Honório, um modesto caixeiro-viajante consegue se tornar um próspero fazendeiro, recorrendo a métodos violentos. Ele adquire a fazenda São Bernardo e casa com Madalena, a esclarecida professora da cidade. Então, estabelece-se o conflito, quando Madalena não aceita ser tratada como propriedade de Paulo Honório. Filme baseado no romance homônimo de Graciliano Ramos. Direção: Leon Hirszman Elenco: Othon Bastos, Isabel Ribeiro, Rodolfo Arena, Vanda Lacerda, Mário Lago, Nildo Parente, Jofre Soares
Othon Bastos, interpretando Paulo Honório, em São Bernardo.
A Hora da Estrela (1985) Aos dezenove anos de idade, Macabéa, uma jovem órfã, só no mundo, vem do Nordeste tentar a vida na cidade de São Paulo. Então, acontece-lhe diversas peripécias, que servem para mostrar um melodrama social. A Hora da Estrela é uma bem-sucedidas adaptação do romance homônimo de Clarice Lispector (nascida Chaya Pinkhasivna Lispector, 1920-1977). Direção: Suzana Amaral Elenco: Marcélia Cartaxo, José Dumont, Tamara Taxman, Fernanda Montenegro, Denoy de Oliveira, Lizete Negreiros, Umberto Magnani, Claudia Resende, Maria do Carmo Soares
José Dumont e Marcélia Cartaxo, numa cena de A Hora da Estrela.