Amigos do Cauim – Bilo – o Mago do saxofone

Canarinho, nosso saudoso amigo enxadrista, uma vez tentou ser empresário da noite. Montou um barzinho na Marcondes Salgado, ao lado da atual lotérica do Jóquei. Rapidamente se tornou no point da galera artística da cidade, ficava aberto do finzinho de tarde até o último freguês sair, já na manhã seguinte.

Era o paraíso etílico das Rê Bordosas e dos Geraldões da cidade, dos políticos incompreendidos, das ovelhas negras familiares, dos aspirantes à artista, de alguns chilenos, argentinos e uruguaios corrido das ditaduras militares do Triângulo do Condor e, claro, bêbados convictamente assumidos.   Tinha também a turma que trabalhava na noite da cidade na época: garçons, cozinheiras, músicos que no fim de seus expedientes iam para lá. Imagine você a zoeira no pequeno bar com tanta gente animada, a barulheira provocada por conversas, risadas e desaforos cuspidos de vez quando numa mesa qualquer.

Mas toda madruga surgia um homem negro, magro, jeitão tímido, que entrava quietinho, sentava na mesa do primeiro que convidasse. Na maioria das vezes, depois do primeiro gole dirigia-se ao banheiro: “vou cuidar do fator diurético”, dizia sempre. Dalia a pouco fazia todo mundo selienciar no meio da madrugada. Não que sua presença inspirasse respeito ou receio, que portasse alguma arma. Na verdade ele dava uma bicadinha de passarinho no copo de cerveja e soprava seu saxofone. Silêncio respeitoso de todos. Nota por nota, o sax do Bilontra trazia de volta lembranças de amores deixados num canto da vida, buscava no fundo da alma de cada frequentador um bocadinho de saudade ou de sentimento.

Bilo, enquanto viveu, foi o passarinho que iluminou a noite musical de Ribeirão Preto por muitos e muitos anos. Tocou com todos os grandes músicos daqui e com os que por aqui passaram. O jeito tímido, a figura magrinha, a fala mansa e o “fator diurético” do Mago do Sax ficaram na história cultural da cidade. E como passarinho que era, de canto grave no de sax-tenor, que eu conheci. E só podia ter sido no ninho aberto de outro passarinho de coração enorme, o Canarinho.

Aqui, num trabalho excepcional do Carlos Eduardo Barone você poderá ouvir um pouco do talento do Bilo, passarinho que hoje está fazendo sua música lá em cima, junto às estrelas.

https://www.facebook.com/baronedu.du.5/videos/653958408372873/

 

 


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