CINEMA & LITERATURA PROGRAMAÇÃO DO MÊS DE OUTUBRO DE 2026

O Cauim, o cineclube que promove cultura e cidadania em Ribeirão Preto, prossegue com a exibição de filmes baseados em clássicos da Literatura Brasileira.
Após a exibição de cada filme, uma breve palestra do prof. dr. Marco Aurélio Lucchetti.
Lembrando: o Cauim está localizado no número 135 da Rua Olavo Bilac, pertinho do centro de Ribeirão Preto.
Eis a Programação completa do mês de outubro.
06/10/2026 – 19h30
A Terceira Margem do Rio (Brasil e França, 1994, 98 minutos)
Direção: Nelson Pereira dos Santos
Elenco: Ilya São Paulo, Lavoisier Albernaz, Bárbara Brandt, Maria Ribeiro, Sonja Saurin, Chico Diaz, Jofre Soares
Um homem de meia-idade deixa sua família e amigos e vai viver isolado em uma canoa, no meio de um rio, na região central do Brasil, e jamais volta a pisar em terra firme. Seu único contato com as pessoas acontece através de seu filho Liojorge, que lhe deixa comida na margem do rio. Os anos se passam. A filha Rosário casa com um rapaz da região e vai morar na cidade. O filho também casa, mas decide permanecer com a mãe e continuar levando diariamente a comida para o pai invisível. Quando nasce Nhinhinha, filha de Liojorge que tem poderes mágicos, o rapaz resolve levá-la até a beira do rio para apresentá-la ao pai.
O filme é baseado nos contos “A Terceira Margem do Rio”, “A Menina de Lá”, “Os Irmãos Dagobé”, “Fatalidade” e “Sequência”, do livro Primeiras Estórias (1962), de João Guimarães Rosas (1908-1967).
Em A Terceira Margem do Rio, Nelson Pereira dos Santos (1928-2018), um dos nomes fundamentais do Cinema Novo, constrói uma obra de maturidade estética. Diferente da abordagem sociopolítica de trabalhos como Vidas Secas (1963), em A Terceira Margem do Rio o diretor se debruça sobre o existencialismo e o realismo mágico, entregando uma reflexão poética sobre as escolhas individuais e os mistérios inacessíveis da alma humana.
O filme tem classificação indicativa de 16 anos.

Uma cena de A Terceira Margem do Rio.
13/10/2026 – 19h30
O Padre e a Moça (Brasil, 1966, 90 minutos)
Direção: Joaquim Pedro de Andrade
Elenco: Paulo José, Helena Ignez, Fauzi Arap, Mário Lago
As imagens de um vilarejo parado no tempo contrapõem-se à exaltação lírica do amor proibido entre um jovem padre e a única moça do lugar.
O filme partiu do poema “Negro Amor de Rendas Brancas”, de Carlos Drummond de Andrade (1902-1987).
O Padre e a Moça serviu para consolidar Joaquim Pedro de Andrade (1932-1988) – mais tarde, ele dirigiria o clássico Macunaíma (1969) – como um dos diretores mais inventivos de sua geração.
Ao unir a lírica drummondiana com a estética do Cinema Novo, o longa transcende o drama romântico para se tornar um ensaio denso sobre a solidão, a intolerância e o preço da liberdade nas entranhas do Brasil.
O filme tem classificação indicativa de 10 anos.

Paulo José e Helena Ignez, numa cena de O Padre e a Moça.
20/10/2026 – 19h30
Jubiabá (Brasil e França, 1986, 107 minutos)
Direção: Nelson Pereira dos Santos
Elenco: Grande Otelo, Charles Baiano, Françoise Goussard, Betty Faria, Romeu Evaristo, Raymond Pellegrin, Alexandra Marzo, Zezé Motta, Ruth de Souza
Menino negro é criado por uma família de brancos e se apaixona pela filha do patrão. Acusado de abusar da garota, ele é espancado cruelmente. Então, foge, para ir viver na rua. Torna-se líder de um bando de pivetes e, mais tarde, lutador de boxe e artista de circo. Anos depois, reencontra a moça.
Jubiabá é uma adaptação do romance homônimo de Jorge Amado (Jorge Leal Amado de Faria, 1912-2001).
O longa-metragem marca um encontro potente entre a literatura baiana e o olhar maduro de um dos mais importantes cineastas do Cinema Novo, abordando a formação da identidade afro-brasileira, a resistência cultural e as lutas sociais na Bahia do início do século 20.
O filme tem classificação indicativa de 10 anos.

Uma cena de Jubiabá.
27/10/2026 – 19h30
Bebel, Garota Propaganda (Brasil, 1967, 103 minutos)
Direção: Maurice Capovilla
Elenco: Rossana Ghessa, John Herbert, Paulo José, Geraldo d’el Rey, Washington Fernandes, Maurício do Valle, Fernando Peixoto, Joana Fomm
Bebel (interpretada por Rossana Ghessa), uma jovem de origem simples, busca escapar de uma vida medíocre na periferia paulistana. Ao ser descoberta pela indústria publicitária, ela se transforma no rosto de uma grande campanha comercial. No entanto, a ascensão meteórica ao universo das aparências, do glamour fabricado e dos meios de comunicação cobra um preço alto, desumanizando seus afetos e expondo a artificialidade do “sonho de consumo”.
Baseado no romance Bebel Que a Cidade Comeu, de Ignácio de Loyola Brandão, o longa-metragem oferece um retrato ácido e perspicaz da modernização urbana, do consumismo e da ascensão da cultura de massa no Brasil do final dos anos 1960.
Em vez de focar na estética sertaneja ou nas lutas camponesas – temas recorrentes da primeira fase do Cinema Novo –, Maurice Capovilla (1936-2021) lança o olhar sobre a metrópole industrial, a alienação da juventude e a sedução do capitalismo.
Quase sessenta anos após seu lançamento, Bebel, Garota Propaganda permanece atual, ao antecipar discussões contemporâneas sobre a espetacularização da vida privada e a mercantilização da imagem pessoal.
O filme tem classificação indicativa de 14 anos.

Rossana Ghessa, interpretando Bebel.
Nós do Cauim esperamos por você.