{"id":8260,"date":"2025-06-13T09:02:46","date_gmt":"2025-06-13T12:02:46","guid":{"rendered":"https:\/\/cauim.org\/?p=8260"},"modified":"2026-01-29T15:40:39","modified_gmt":"2026-01-29T18:40:39","slug":"manicomio-siniestro-un-clasico-del-terror-parte-uno","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cauim.org\/es\/manicomio-siniestro-un-clasico-del-terror-parte-uno\/","title":{"rendered":"MANICOMIO DE LO SINIESTRADO, UN CL\u00c1SICO DEL TERROR \u2013 PRIMERA PARTE"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-post\" data-elementor-id=\"8260\" class=\"elementor elementor-8260\" data-elementor-post-type=\"post\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-18643166 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"18643166\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-6a3d92ff\" data-id=\"6a3d92ff\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-6a000cd6 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"6a000cd6\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p><\/p>\n<p><em>R. F. Lucchetti<br>Edi\u00e7\u00e3o: Marco Aur\u00e9lio Lucchetti<\/em><\/p>\n<p><\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"790\" class=\"wp-image-8271\" src=\"https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/asilo-1-1024x790.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/asilo-1-1024x790.jpg 1024w, https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/asilo-1-300x232.jpg 300w, https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/asilo-1-768x593.jpg 768w, https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/asilo-1-1536x1185.jpg 1536w, https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/asilo-1-2048x1580.jpg 2048w, https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/asilo-1-650x502.jpg 650w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n<p><\/p>\n<p><em>Cartazete original (estadunidense) do filme<\/em> Asilo Sinistro<em>.<\/em><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Em 1942, Charles Koerner, recentemente nomeado chefe de produ\u00e7\u00e3o da RKO Radio Pictures, decidiu que o est\u00fadio devia seguir o exemplo da Universal e produzir filmes de Horror. Ent\u00e3o, contratou Val Lewton, que, durante cerca de oito anos, havia trabalhado como editor de roteiros nos est\u00fadios do produtor David O. Selznick (David Oliver Selznick, 1902-1965), e encarregou-o de produzir uma s\u00e9rie de filmes de Horror de baixo custo. Cada fita teria aproximadamente setenta e cinco minutos de dura\u00e7\u00e3o e seria destinada aos programas duplos dos cinemas norte-americanos.<\/p>\n<p><\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"676\" class=\"wp-image-8270\" src=\"https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/asilo-2-1024x676.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/asilo-2-1024x676.jpg 1024w, https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/asilo-2-300x198.jpg 300w, https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/asilo-2-768x507.jpg 768w, https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/asilo-2-650x429.jpg 650w, https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/asilo-2.jpg 1325w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n<p><\/p>\n<p><em>Val Lewton.<\/em><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Imediatamente, Val Lewton disse para si mesmo: <em>\u201cEles podem pensar que vou fazer o tipo usual de filme de Horror, que obt\u00e9m renda imediata, provoca risos na plateia e \u00e9 esquecido rapidamente. Mas est\u00e3o enganados. Vou realizar o tipo de filme de Suspense que aprecio.\u201d<\/em> E, ao inv\u00e9s das costumeiras hist\u00f3rias de vampiros, lobisomens e monstros criados por cientistas querendo ser Deus, Val Lewton optou por levar \u00e0s telas dos cinemas narrativas relacionadas com algum medo ou supersti\u00e7\u00e3o universal, sempre procurando obter a express\u00e3o cinematogr\u00e1fica do horror por meio da sugest\u00e3o e o uso dram\u00e1tico de sons, sil\u00eancios e ecos. E os nove filmes de Horror que produziu na RKO formam, como afirmou o cr\u00edtico Carlos Fonseca (Carlos do Amaral Fonseca, 1930-2006), <em>\u201ca mais extraordin\u00e1ria cole\u00e7\u00e3o de horror da hist\u00f3ria do Cinema\u201d.<br><\/em>Recebendo de sal\u00e1rio duzentos e cinquenta d\u00f3lares por semana, Val Lewton supervisionava cada detalhe da produ\u00e7\u00e3o. Exigia que os desenhistas de cena, os encarregados do vestu\u00e1rio, os maquiadores&#8230; enfim, todos os profissionais envolvidos na feitura de seus filmes dessem o melhor de si. E o extremo cuidado que dedicava \u00e0 produ\u00e7\u00e3o das fitas pode ser comprovado ao se assistir, por exemplo, \u00e0 ultima pel\u00edcula de Horror que produziu na RKO: <em>Asilo Sinistro<\/em> (<em>Bedlam<\/em>), cujas filmagens foram realizadas entre 18 de julho e 17 de agosto de 1945 e que estreou nos cinemas dos Estados Unidos em 1946 [em seu livro <em>Val Lewton\u2013 The Reality of Terror<\/em> (Londres, Secker &amp; Warburg\/British Film Institute, 1972, pp. 81 e 160), o professor universit\u00e1rio e pesquisador Joel E. Siegel (1940-2004) afirma que <em>Asilo Sinistro<\/em> estreou nos cinemas dos Estados Unidos em abril de 1946]<em>.<br><\/em>O roteiro de <em>Asilo Sinistro<\/em> foi escrito por Val Lewton (ele o assinou com o pseud\u00f4nimo de Carlos Keith) &amp; Mark Robson<em>.<br><\/em>Abre um par\u00eantese<em>.<br><\/em>Mark Robson (1913-1978) participou da equipe de produ\u00e7\u00e3o de sete dos nove filmes de Horror que Val Lewton produziu na RKO. Em tr\u00eas [<em>Sangue de Pantera<\/em> (<em>Cat People<\/em>, 1942, dire\u00e7\u00e3o de Jacques Tourneur), <em>A Morta-Viva<\/em> (<em>I Walked with a Zombie<\/em>, 1943, dire\u00e7\u00e3o de Jacques Tourneur) e <em>O Homem-Leopardo<\/em> (<em>The Leopard Man<\/em>, 1943, dire\u00e7\u00e3o de Jacques Tourneur)], como&nbsp; montador; e, em quatro [<em>A S\u00e9tima V\u00edtima<\/em> (<em>The Seventh Victim<\/em>, 1943), <em>O Fantasma dos Mares<\/em> (<em>The Ghost Ship<\/em>, 1943), <em>A Ilha dos Mortos<\/em> (<em>Isle of the Dead<\/em>, 1945) e <em>Asilo Sinistro<\/em>], como diretor.<\/p>\n<p><\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"746\" height=\"577\" class=\"wp-image-8269\" src=\"https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/asilo-3.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/asilo-3.jpg 746w, https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/asilo-3-300x232.jpg 300w, https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/asilo-3-650x503.jpg 650w\" sizes=\"(max-width: 746px) 100vw, 746px\" \/><\/figure>\n<p><\/p>\n<p><em>Christine Gordon, Frances Dee e Darby Jones, numa cena de<\/em> A Morta-Viva<em>, um dos filmes que Val Lewton produziu e Mark Robson dirigiu.<\/em><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Fecha o par\u00eantese<em>.<br><\/em>E, para escreverem o roteiro, Lewton &amp; Robson inspiraram-se em \u201cThe Madhouse\u201d, uma gravura do pintor, gravador e ilustrador ingl\u00eas William Hogarth (1697-1764).<\/p>\n<p><\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"848\" height=\"683\" class=\"wp-image-8268\" src=\"https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/asilo-4.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/asilo-4.jpg 848w, https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/asilo-4-300x242.jpg 300w, https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/asilo-4-768x619.jpg 768w, https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/asilo-4-650x524.jpg 650w\" sizes=\"(max-width: 848px) 100vw, 848px\" \/><\/figure>\n<p><\/p>\n<p><em>\u201cThe Madhouse\u201d (\u00f3leo sobre tela, 62,2 x 74,9 cm)<\/em>.<br><i>E<\/i><em>ssa gravura, a oitava de uma s\u00e9rie de oito intitulada A<\/em> Rake\u2019s Progress<em>, foi feita entre 1733 e 1734 e pertence atualmente ao acervo do Sir John Soane\u2019s Museum, de Londres.<\/em><\/p>\n<p><em>A<\/em><em>silo Sinistro<\/em> tem como cen\u00e1rio Londres e mostra como os loucos eram tratados no l\u00fagubre St. Mary\u2019s of Bethlehem Asylum, nos primeiros anos da segunda metade do s\u00e9culo 18. Naquela \u00e9poca, a loucura era considerada um flagelo divino; e os que sofriam desse mal eram desprezados, ridicularizados, maltratados, torturados e atirados em manic\u00f4mios imundos e tenebrosos. \u00c9 nesse ambiente asfixiante que, ao lado da figura do supervisor do hosp\u00edcio, o s\u00e1dico e ambicioso Mestre Sims, [magnificamente interpretado por Boris Karloff (nome art\u00edstico de William Henry Pratt, 1887-1969), que um ano antes, em <em>O T\u00famulo Vazio<\/em> (<em>The Body Snatcher<\/em>, dire\u00e7\u00e3o de Robert Wise), filme tamb\u00e9m produzido por Val Lewton e baseado numa hist\u00f3ria do escoc\u00eas Robert Louis Stevenson (1850-1894), havia encarnado soberbamente um cruel e c\u00ednico ladr\u00e3o de t\u00famulos], aparecem: o rico e obeso <em>lord<\/em> Mortimer (Billy House), um pobre de esp\u00edrito e hip\u00f3crita que pensa que o dinheiro pode comprar tudo; Nell Bowen (Anna Lee), uma jovem e bela atriz que acaba sendo internada em St. Mary\u2019s por ter afrontado Mestre Sims, humilhado publicamente <em>lord<\/em> Mortimer (at\u00e9 ent\u00e3o, ele era seu protetor e mecenas) e haver sugerido que os loucos tivessem um tratamento menos desumano no asilo; e o <em>quaker<\/em> William Hannay (Richard Fraser), uma das poucas pessoas dispostas a ajudar Nell a sair do hosp\u00edcio. Com esses quatro personagens, desenvolve-se toda a trama da fita, numa atmosfera cada vez mais tensa e sombria.<\/p>\n<p><\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"763\" class=\"wp-image-8267\" src=\"https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/asilo-5-1024x763.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/asilo-5-1024x763.jpg 1024w, https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/asilo-5-300x224.jpg 300w, https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/asilo-5-768x572.jpg 768w, https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/asilo-5-650x484.jpg 650w, https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/asilo-5.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n<p><\/p>\n<p><em>Anna Lee (nascida Joan Boniface Winnifrith, 1913-2004) e Boris Karloff, numa cena de<\/em> Asilo Sinistro<em>.<\/em><\/p>\n<p><\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"762\" class=\"wp-image-8266\" src=\"https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/asilo-6-1024x762.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/asilo-6-1024x762.jpg 1024w, https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/asilo-6-300x223.jpg 300w, https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/asilo-6-768x572.jpg 768w, https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/asilo-6-650x484.jpg 650w, https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/asilo-6.jpg 1365w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n<p><\/p>\n<p>Lord<em> Mortimer (Billy House).<\/em><\/p>\n<p><\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"741\" class=\"wp-image-8265\" src=\"https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/asilo-7-1024x741.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/asilo-7-1024x741.jpg 1024w, https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/asilo-7-300x217.jpg 300w, https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/asilo-7-768x555.jpg 768w, https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/asilo-7-650x470.jpg 650w, https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/asilo-7.jpg 1373w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n<p><\/p>\n<p><em>Richard Fraser (1913-1972) e Anna Lee, numa cena de Asilo Sinistro.<\/em><\/p>\n<p><\/p>\n<p><em>Asilo Sinistro<\/em> impressiona pela sua linguagem cinematogr\u00e1fica extremamente apurada. Cada uma de suas cenas se parece com um quadro. \u00c9 um filme de imagens<em>.<br><\/em>Abre um novo par\u00eantese<em>.<br><\/em>Na minha opini\u00e3o, as imagens s\u00e3o o mais importante numa fita, porque s\u00e3o elas que o espectador ret\u00e9m na mente, ap\u00f3s o t\u00e9rmino do filme<em>.<br><\/em>N\u00e3o canso de repetir: o Cinema \u00e9 a arte da express\u00e3o pela imagem. O Cinema \u00e9 essencialmente a arte de criar belas imagens. No entanto, nem todos os cineastas compreenderam ou compreendem isso<em>.<br><\/em>Certa vez (creio que o fato ocorreu em 1987), recordando-me da fita <em>Alexander Nevski<\/em> (1938, dire\u00e7\u00e3o de Sergei Eisenstein), cujas cenas se assemelham a quadros, falei para um pretenso diretor: <em>\u201cO verdadeiro cineasta deve criar cada cena de seu filme como se estivesse produzindo um quadro.\u201d<\/em> O sujeito, ent\u00e3o, olhou-me espantado, como se eu tivesse acabado de proferir um despaut\u00e9rio. Tamb\u00e9m eu n\u00e3o poderia esperar uma rea\u00e7\u00e3o diferente, j\u00e1 que ele era e, certamente, ainda \u00e9 um fan\u00e1tico por filmes estrelados por atores com express\u00e3o apalermada e dic\u00e7\u00e3o parecida com a de um ser mec\u00e2nico.<\/p>\n<p><\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"505\" class=\"wp-image-8264\" src=\"https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/asilo-8-1024x505.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/asilo-8-1024x505.jpg 1024w, https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/asilo-8-300x148.jpg 300w, https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/asilo-8-768x378.jpg 768w, https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/asilo-8-650x320.jpg 650w, https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/asilo-8.jpg 1534w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n<p><\/p>\n<p><em>Uma cena de<\/em> Alexander Nevski<em>.<\/em><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Agora, completando meu pensamento: no Cinema, n\u00e3o importa muito o que vai ser contado, e sim a forma como isso vai ser contado. Ou seja, a forma reveste o conte\u00fado<em>.<br><\/em>Fecha esse novo par\u00eantese<em>.<br><\/em>E, antes de encerrar a primeira parte deste meu texto, quero dizer algumas palavras a respeito de Val Lewton<em>.<br><\/em>Nascido em Ialta, na Crimeia (pen\u00ednsula da Ucr\u00e2nia atualmente ocupada pela R\u00fassia), em 7 de maio de 1904, Val Lewton (nascido Volodymyr Ivanovich Leventon) emigrou, com a fam\u00edlia, para os Estados Unidos em 1909<em>.<br><\/em>Ele era sobrinho de uma das grandes estrelas do cinema mudo norte-americano: Alla Nazimova (nascida Mariam Edez Adelaida Leventon, 1879-1945), que atuou nos palcos teatrais e foi produtora e roteirista de filmes.<\/p>\n<p><\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"575\" height=\"533\" class=\"wp-image-8263\" src=\"https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/asilo-9.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/asilo-9.jpg 575w, https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/asilo-9-300x278.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 575px) 100vw, 575px\" \/><\/figure>\n<p><\/p>\n<p><em>Alla Nazimova.<\/em><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Al\u00e9m de roteirista e produtor, Val Lewton tamb\u00e9m foi escritor. Escreveu nove romances: <em>The Improved Road <\/em>(1924), <em>Rape of Glory<\/em> (1931), <em>The Fateful Star Murder<\/em> (1931, publicado sob o pseud\u00f4nimo de Herbert Kerkow), <em>Where the Cobra Sings <\/em>(1932, publicado sob o pseud\u00f4nimo de Cosmo Forbes), <em>No Bed of Her Own<\/em> (1932), <em>Four Wives<\/em> (1933, publicado sob o pseud\u00f4nimo de Carlos Keith), <em>Yearly Lease<\/em> (1933), <em>A Laughing<\/em> <em>Woman<\/em> (1933, publicado sob o pseud\u00f4nimo de Carlos Keith) e <em>This Fool Passion<\/em> (1933, publicado sob o pseud\u00f4nimo de Carlos Keith)<em>.<br><\/em>Creio que de todos os romances escritos por Val Lewton o que alcan\u00e7ou maior sucesso tenha sido <em>No Bed of Her Own<\/em>. Foi traduzido para diversas l\u00ednguas, inclusive o Portugu\u00eas. Aqui, em nosso pa\u00eds, apareceu, com o t\u00edtulo de <em>Sem Cama Pr\u00f3pria<\/em>, numa edi\u00e7\u00e3o lan\u00e7ada provavelmente em 1933 ou 1934 pela editora Civiliza\u00e7\u00e3o Brasileira, do Rio de Janeiro. A tradu\u00e7\u00e3o coube a Edgard M. Lobato. E, na orelha de <em>Sem Cama Pr\u00f3pria<\/em>, h\u00e1 a seguinte descri\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria narrada no livro:<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u201c<strong>SEM CAMA PR\u00d3PRIA<\/strong>, o romance de VAL LEWTON, o maior sucesso na Am\u00e9rica do Norte, mostrar\u00e1 aos leitores o que \u00e9 a bravura e a capacidade de sofrimento de uma mo\u00e7a dos nossos dias, obrigada a mendigar trabalho, a suportar a grosseria de enamorados passageiros e a viver sem lar, \u00e0 procura de p\u00e3o<em>.<br><\/em>ROSE MAHONEY, a hero\u00edna de SEM CAMA PR\u00d3PRIA, vendeu-se, para levar um frasco de rem\u00e9dio a uma criancinha que agonizava<em>.<br><\/em>Ela n\u00e3o tinha apenas fome de amor e dedica\u00e7\u00e3o: tinha fome de p\u00e3o para a boca.\u201d<\/p>\n<p>Possuo em minha biblioteca um folheto de propaganda da Civiliza\u00e7\u00e3o Brasileira. \u00c9 um folheto de quatro p\u00e1ginas, anunciando os lan\u00e7amentos da editora. Um dos lan\u00e7amentos \u00e9 justamente <i>Sem Cama Pr\u00f3pria.<\/i><br>N\u00e3o sei como o referido folheto chegou \u00e0s minhas m\u00e3os. Mas acho oportuno e interessante transcrever parte do coment\u00e1rio feito sobre <em>Sem Cama Pr\u00f3pria<\/em>:<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u201cEste livro obteve na Am\u00e9rica do Norte um \u00eaxito retumbante. Descreve as dolorosas aventuras de uma mulher moderna, obrigada a ganhar a vida para o pr\u00f3prio sustento e sofrendo sempre&#8230; por ter que dormir na cama dos outros. Aparecem aqui os novos costumes norte-americanos. Nova York, seus prazeres e suas mis\u00e9rias! A perdi\u00e7\u00e3o de tantas mo\u00e7as inexperientes e que t\u00eam fome&#8230; \u00c9 um livro que n\u00e3o pode cair em m\u00e3os inocentes, mas deve ser lido por todas as mulheres que gostam de se instruir, porque <strong>Sem<\/strong> <strong>Cama Pr\u00f3pria<\/strong> \u00e9 uma li\u00e7\u00e3o formid\u00e1vel.\u201d&nbsp;<\/p>\n<p><\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"658\" height=\"1019\" class=\"wp-image-8262\" src=\"https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/asilo-10.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/asilo-10.jpg 658w, https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/asilo-10-194x300.jpg 194w, https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/asilo-10-420x650.jpg 420w\" sizes=\"(max-width: 658px) 100vw, 658px\" \/><\/figure>\n<p><\/p>\n<p><em>Capa de uma edi\u00e7\u00e3o (em formato de bolso) de <\/em>No Bed of Her Own<em>. Edi\u00e7\u00e3o essa lan\u00e7ada em 1950 pela Novel Publications, de Chicago.<\/em><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Val Lewon faleceu em Hollywood, em 14 de maio de 1951, em decorr\u00eancia de um ataque do cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><em>R. F. Lucchetti (Rubens Francisco Lucchetti, 1930-2024) foi ficcionista e roteirista de Cinema &amp; Quadrinhos.<\/em><\/p>\n<p><\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>R. F. 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