{"id":6791,"date":"2025-04-07T10:14:05","date_gmt":"2025-04-07T13:14:05","guid":{"rendered":"https:\/\/cauim.org\/?p=6791"},"modified":"2026-01-29T15:49:44","modified_gmt":"2026-01-29T18:49:44","slug":"alice-ou-a-ultima-fuga","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cauim.org\/es\/alice-ou-a-ultima-fuga\/","title":{"rendered":"ALICIA O LA \u00daLTIMA ESCAPADA"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-post\" data-elementor-id=\"6791\" class=\"elementor elementor-6791\" data-elementor-post-type=\"post\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-27a9726d elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"27a9726d\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-42ad4965\" data-id=\"42ad4965\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-45f94075 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"45f94075\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p><\/p>\n<p><em>Marco Aur\u00e9lio Lucchett<i>i<br>E<\/i><\/em><em>di\u00e7\u00e3o: Marco Aur\u00e9lio Lucchetti<\/em><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Sylvia Maria Kristel, ou simplesmente Sylvia Kristel, nasceu em 28 de setembro de 1952, na quarta cidade mais populosa da Holanda, Utrecht, conhecida por possuir uma das mais antigas universidades holandesas.<\/p>\n<p><\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"652\" height=\"429\" class=\"wp-image-6792\" src=\"https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/alice-2-1.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/alice-2-1.jpg 652w, https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/alice-2-1-300x197.jpg 300w, https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/alice-2-1-650x428.jpg 650w\" sizes=\"(max-width: 652px) 100vw, 652px\" \/><\/figure>\n<p><\/p>\n<p><em>Sylvia Kristel.<\/em><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Ainda que fosse holandesa, Sylvia Kristel tornou-se um s\u00edmbolo franc\u00eas, como atesta o par\u00e1grafo de introdu\u00e7\u00e3o de uma entrevista dada por ela para o n\u00famero 11 (datado de abril de 1977) de <em>Cinema Fran\u00e7ais<\/em> (revista editada pela Unifrance Film, entidade criada para promover o cinema franc\u00eas fora da Fran\u00e7a):<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u201cApesar de ter nascido em Utrecht, Sylvia Kristel tornou-se, com nove filmes e sobretudo com <em>Emmanuelle<\/em>, um puro produto parisiense para a exporta\u00e7\u00e3o. Para cem milh\u00f5es de espectadores que assistiram nos cinco continentes \u00e0s aventuras da hero\u00edna imaginada por <em>madame<\/em> Arsan, Sylvia Kristel se tornou t\u00e3o c\u00e9lebre quanto o Folies Berg\u00e8re ou a Torre Eiffel.\u201d<\/p>\n<p><\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"762\" class=\"wp-image-6793\" src=\"https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/alice-3-1-1024x762.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/alice-3-1-1024x762.jpg 1024w, https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/alice-3-1-300x223.jpg 300w, https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/alice-3-1-768x572.jpg 768w, https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/alice-3-1-1536x1143.jpg 1536w, https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/alice-3-1-650x484.jpg 650w, https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/alice-3-1.jpg 1979w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n<p><\/p>\n<p><em>A fachada, em estilo <\/em>Art D\u00e9co<em>, do Folies Berg\u00e8re, que teve o auge de sua fama e popularidade como cabar\u00e9 entre a d\u00e9cada de 1890 e os anos 1920.<\/em><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Na tal entrevista, a srta. Kristel contou o seguinte a respeito de sua adolesc\u00eancia e o in\u00edcio de sua carreira de atriz:<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u201cMeus pais eram propriet\u00e1rios de um hotel que ficava em frente \u00e0 esta\u00e7\u00e3o de trens de Utrecht. Tenho uma irm\u00e3 mais nova. Ela se chama Marianne. Mal completei doze anos de idade, colocaram-me num col\u00e9gio de freiras. Fiquei l\u00e1, durante quatro anos. Educa\u00e7\u00e3o rigorosa. Eu queria fugir. Terminei os estudos e, como n\u00e3o tinha nada para fazer, decidi entrar no Normal e conseguir uma licenciatura em Ingl\u00eas. Por\u00e9m, da mesma forma que a precedente, essa escola n\u00e3o era nem um pouco prazerosa. Seus diretores, todos calvinistas, certamente nunca ouviram falar da palavra alegria. Creio que n\u00e3o riam, nem mesmo quando lhes co\u00e7avam os p\u00e9s. Sa\u00ed correndo de l\u00e1 e fui viver minha vida sozinha, por conta pr\u00f3pria. Fui gar\u00e7onete, secret\u00e1ria&#8230; Conseguia empregos facilmente. Trabalhei tamb\u00e9m como enfermeira, vendedora, demonstradora, recepcionista e at\u00e9 como atendente num posto de gasolina em Amsterd\u00e3, capital da Holanda. Um dia, aconselharam-me a fazer fotos de Moda. Segui o conselho, e foi um sucesso imediato. Eu tinha vinte anos. Ent\u00e3o, logo participei do <em>Miss TV Europe<\/em>, um concurso para encontrar uma apresentadora que, falando v\u00e1rios idiomas, pudesse animar os programas internacionais do tipo <em>Eurovision<\/em>. Ganhei o concurso, um Mercedes, uma viagem \u00e0 Jamaica e mil libras holandesas. A\u00ed, ofereceram-me um papel no filme <i>Because of the Cats<\/i>. O roteirista chamava-se Hugo Clauss. Apaixonei-me imediatamente por ele. A essa fita seguiram-se outras duas. Produ\u00e7\u00f5es holandesas. Numa delas, uma com\u00e9dia musical intitulada <em>Naakt Over de Schutting<\/em>, eu canto, dan\u00e7o e represento. Depois, gra\u00e7as ao ator Jacques Charrier, Just Jaeckin viu uma foto minha. E <em>voil\u00e0<\/em>.\u201d&nbsp; &nbsp;<\/p>\n<p><\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"699\" height=\"933\" class=\"wp-image-6794\" src=\"https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/alice-4-1.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/alice-4-1.jpg 699w, https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/alice-4-1-225x300.jpg 225w, https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/alice-4-1-487x650.jpg 487w\" sizes=\"(max-width: 699px) 100vw, 699px\" \/><\/figure>\n<p><\/p>\n<p><em>Sylvia Kristel, numa foto tirada em 1973.<\/em><\/p>\n<p><\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"960\" height=\"476\" class=\"wp-image-6795\" src=\"https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/alice-5.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/alice-5.jpg 960w, https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/alice-5-300x149.jpg 300w, https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/alice-5-768x381.jpg 768w, https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/alice-5-650x322.jpg 650w\" sizes=\"(max-width: 960px) 100vw, 960px\" \/><\/figure>\n<p><\/p>\n<p><em>Sylvia Kristel, numa cena de<\/em> Emmanuelle<em>.<\/em><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Em 1974, Sylvie Kristel estrelou <em>Emmanuelle<\/em>\/<em>Emmanuelle, A Verdadeira<\/em> (<em>Emmanuelle<\/em>), um filme er\u00f3tico franc\u00eas dirigido por Just Jaeckin (1940-2022) e baseado num romance da escritora Emmanuelle Arsan (pseud\u00f4nimo de Marayat Rollet-Andriane, nascida Marayat Bibidh, 1932-2005).<br>Narrando as perip\u00e9cias sexuais da esposa de um diplomata franc\u00eas na Tail\u00e2ndia, o romance de Emmanuelle Arsan foi publicado por \u00c9ric Losfeld (1922-1979), numa edi\u00e7\u00e3o clandestina lan\u00e7ada em 1959. Em 1967, o livro foi relan\u00e7ado pela Le Terrain Vague, editora pertencente a Losfeld e especializada em publicar material <em>cult<\/em> e\/ou controvertido.<\/p>\n<p><\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"600\" height=\"915\" class=\"wp-image-6815\" src=\"https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/alice-6-1.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/alice-6-1.jpg 600w, https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/alice-6-1-197x300.jpg 197w, https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/alice-6-1-426x650.jpg 426w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/figure>\n<p><\/p>\n<p><em>Capa de uma edi\u00e7\u00e3o em Ingl\u00eas do romance<\/em> Emmanuelle<em>.<\/em><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Emmanuelle, que est\u00e1 eternamente em busca de novas experi\u00eancias sexuais e emo\u00e7\u00f5es, marcaria para sempre a carreira de Sylvia Kristel. Ela interpretaria a personagem em cerca de uma dezena de fitas, algumas das quais produzidas para a televis\u00e3o a cabo.<\/p>\n<p><\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"1024\" class=\"wp-image-6797\" src=\"https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/alice-7-1024x1024.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/alice-7-1024x1024.jpg 1024w, https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/alice-7-300x300.jpg 300w, https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/alice-7-150x150.jpg 150w, https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/alice-7-768x768.jpg 768w, https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/alice-7-650x650.jpg 650w, https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/alice-7.jpg 1416w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n<p><\/p>\n<p><em>Sylvia Kristel, interpretando Emmanuelle.<\/em><\/p>\n<p><\/p>\n<p>E, com rela\u00e7\u00e3o a Emmanuelle, a srta. Kristel, na entrevista j\u00e1 mencionada, afirmou:<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u201cO filme de Just Jaeckin nos mostra como Emmanuelle passava de uma certa inoc\u00eancia ao universo do prazer. Ela adentra nesse universo pelas m\u00e3os de um italiano, Mario, interpretado por Alain Cuny. \u00c9 Mario que educa os sentidos de Emmanuelle e a faz descobrir que, ao lado do amor propriamente dito, existem estranhos deleites que n\u00e3o t\u00eam nada a ver com o ponto de vista puramente afetivo. Bem, Emmanuelle me \u00e9 simp\u00e1tica na medida em que ela \u00e9 verdadeira. Sendo interessada pelo universo sexual, entrega-se com sinceridade. Mas, pessoalmente, a personagem n\u00e3o me afeta. Eu s\u00f3 me pare\u00e7o com ela, se assim quiser, pelo fato de que eu a sinto. E, para isso, n\u00e3o preciso me identificar com ela na vida real. Se o artista tivesse que se identificar com seu personagem, precisar\u00edamos pedir, por exemplo, a Greta Garbo para ser Marguerite Gautier, a Dama das Cam\u00e9lias; a Marlene Dietrich, a Imperatriz Vermelha; e a Leonardo da Vinci para se parecer com a Mona Lisa. Entretanto, h\u00e1 muitas pessoas que consideram ator e personagem uma coisa s\u00f3. Para essas pessoas, Peter Falk n\u00e3o \u00e9 o grande ator que \u00e9. Para elas, ele \u00e9 simplesmente o tenente Columbo, da Homic\u00eddios.\u201d<\/p>\n<p><\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"662\" height=\"905\" class=\"wp-image-6798\" src=\"https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/alice-8.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/alice-8.jpg 662w, https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/alice-8-219x300.jpg 219w, https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/alice-8-475x650.jpg 475w\" sizes=\"(max-width: 662px) 100vw, 662px\" \/><\/figure>\n<p><\/p>\n<p><em>Peter Falk (1927-2011), representando o tenente Columbo, personagem criado por William Link (1933-2020) &amp; Richard Levinson (1934-1987).<\/em><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Em sua carreira cinematogr\u00e1fica, Sylvia Kristel logicamente n\u00e3o interpretou somente Emmanuelle. Representou outros personagens. Um dos mais marcantes \u00e9 Alice Carroll, a figura principal de <em>Alice ou A \u00daltima Fuga<\/em> (<em>Alice ou la<\/em> <em>derni\u00e8re fugue<\/em>, 1977), dirigido por um dos mestres da <em>Nouvelle Vague<\/em>, Claude Chabrol (1930-2010).<\/p>\n<p><\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"610\" height=\"871\" class=\"wp-image-6799\" src=\"https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/alice-9.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/alice-9.jpg 610w, https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/alice-9-210x300.jpg 210w, https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/alice-9-455x650.jpg 455w\" sizes=\"(max-width: 610px) 100vw, 610px\" \/><\/figure>\n<p><\/p>\n<p><em>Cartaz original (franc\u00eas) de <\/em>Alice ou A \u00daltima Fuga<em>.<\/em><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Para realizar o filme, Chabrol buscou inspira\u00e7\u00e3o em <em>Aventuras de Alice no Pa\u00eds das Maravilhas<\/em> (<em>Alice\u2019s Adventures in Wonderland<\/em>, 1865) e <em>Atrav\u00e9s do Espelho e o que Alice encontrou por l\u00e1<\/em> (<em>Through the Looking-Glass and What Alice Found There<\/em>, 1871), do escritor ingl\u00eas Lewis Carroll (1832-1898), e inseriu sua hero\u00edna numa realidade paralela.<\/p>\n<p><\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"640\" height=\"418\" class=\"wp-image-6800\" src=\"https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/alice-10.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/alice-10.jpg 640w, https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/alice-10-300x196.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/figure>\n<p><\/p>\n<p><em>Sylvia Kristel, numa cena de <\/em>Alice ou A \u00daltima Fuga<em>.<\/em><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Cansada de conviver com um marido ego\u00edsta, Alice, uma jovem e bela esposa burguesa, decide romper os la\u00e7os que a trazem aprisionada \u00e0 posi\u00e7\u00e3o de mulher-objeto. Numa noite de tempestade, ela entra em seu carro e parte em disparada e sem destino atrav\u00e9s de uma estrada qualquer.<br>Curiosamente, a fuga de Alice, que deixa para tr\u00e1s sua confort\u00e1vel \u2013 mas entediante \u2013 vida, trouxe-me \u00e0 mem\u00f3ria a fuga de Marion Crane (Janet Leigh) em <em>Psicose<\/em> (<em>Psycho<\/em>, 1960), de Alfred Hitchcock (1899-1980).<\/p>\n<p><\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"471\" class=\"wp-image-6803\" src=\"https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/alice-11-1-1024x471.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/alice-11-1-1024x471.jpg 1024w, https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/alice-11-1-300x138.jpg 300w, https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/alice-11-1-768x353.jpg 768w, https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/alice-11-1-650x299.jpg 650w, https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/alice-11-1.jpg 1277w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n<p><\/p>\n<p><em>Janet Leigh (1927-2004), numa cena de<\/em> Psicose<em>.<\/em><\/p>\n<p><\/p>\n<p>A entrada de Alice no universo paralelo e surreal criado por Chabrol se inicia quando, repentinamente, o para-brisa de seu autom\u00f3vel se estilha\u00e7a (em <em>Atrav\u00e9s do Espelho<\/em>, o espelho da sala da casa onde mora a menina Alice fica <em>\u201ctodo macio, como gaze\u201d<\/em>, e come\u00e7a <em>\u201ca se desfazer lentamente, como se fosse uma n\u00e9voa prateada e luminosa\u201d<\/em>, permitindo a passagem da garota para o outro lado).<\/p>\n<p><\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"809\" height=\"1024\" class=\"wp-image-6804\" src=\"https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/alice-12-1-809x1024.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/alice-12-1-809x1024.jpg 809w, https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/alice-12-1-237x300.jpg 237w, https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/alice-12-1-768x972.jpg 768w, https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/alice-12-1-1214x1536.jpg 1214w, https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/alice-12-1-1619x2048.jpg 1619w, https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/alice-12-1-514x650.jpg 514w, https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/alice-12-1-scaled.jpg 2024w\" sizes=\"(max-width: 809px) 100vw, 809px\" \/><\/figure>\n<p><\/p>\n<p><em>O espelho come\u00e7a a se desfazer, permitindo a passagem da menina para o outro lado.<br>I<\/em><em>lustra\u00e7\u00e3o feita por John Tenniel (1820-1914) para o livro <\/em>Atrav\u00e9s do Espelho e o que Alice encontrou por l\u00e1.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>A partir da\u00ed, ocorre uma sucess\u00e3o de fatos inusitados, que v\u00e3o deixando Alice Carroll e n\u00f3s, espectadores, cada vez mais surpresos, para dizer o m\u00ednimo. Entretanto, o cineasta n\u00e3o se utiliza de nenhum dos artif\u00edcios habituais que o Cinema costuma usar para suscitar a ang\u00fastia, o medo e o suspense. N\u00e3o se ouvem gritos de terror ou lamentos ag\u00f4nicos. N\u00e3o h\u00e1 portas que rangem. N\u00e3o existem fantasmas, lobisomens, m\u00famias, vampiros, mulheres que se transformam em panteras etc. Nem densos nevoeiros. Nem surgem do nada monstros terr\u00edveis ou assassinos psicopatas e cru\u00e9is.<br>N\u00e3o tendo condi\u00e7\u00f5es de enxergar direito, devido \u00e0 chuva que continua caindo de forma torrencial, Alice ainda consegue dirigir mais um pouco, at\u00e9 que surge \u00e0 sua frente a <em>\u201cfenda aberta no grande parque\u201d<\/em> [como em <em>Aventuras de Alice no Pa\u00eds das Maravilhas<\/em>, quando, <em>\u201cardendo de curiosidade\u201d<\/em>, a garotinha Alice persegue, atrav\u00e9s da campina, um Coelho Branco (possuindo olhos cor-de-rosa, ele passara correndo por ela e falara, ap\u00f3s tirar um rel\u00f3gio do bolso do colete e consultar as horas: <em>\u201cAi, ai! Ai, ai! Vou chegar atrasado demais!\u201d<\/em>) e se enfia numa <em>\u201ctoca atr\u00e1s dele, sem pensar de que jeito conseguir\u00e1 sair depois\u201d<\/em>]: um casar\u00e3o aristocr\u00e1tico, isolado e cercado de \u00e1rvores frondosas e um imenso e bem-cuidado jardim.<br>Nesse casar\u00e3o, Alice \u00e9 recebida calorosamente pelo dono da propriedade (parece at\u00e9 que ele j\u00e1 estava \u00e0 sua espera), Henri Vergennes (interpretado pelo veterano Charles Vanel), um am\u00e1vel anci\u00e3o, e seu fiel criado, Colas. Henri a coloca \u00e0 vontade, oferece-lhe sua hospitalidade e pede-lhe que ceie, durma e espere que passe a tempestade. <em>\u201cAmanh\u00e3\u201d<\/em>, diz ele, <em>\u201co para-brisa estar\u00e1 consertado. A\u00ed, voc\u00ea poder\u00e1 seguir viagem.\u201d<\/em><\/p>\n<p><\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"595\" class=\"wp-image-6805\" src=\"https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/alice-13-1024x595.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/alice-13-1024x595.jpg 1024w, https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/alice-13-300x174.jpg 300w, https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/alice-13-768x446.jpg 768w, https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/alice-13-1536x892.jpg 1536w, https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/alice-13-650x378.jpg 650w, https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/alice-13.jpg 1604w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n<p><\/p>\n<p>No dia seguinte, Alice percebe que est\u00e1 absolutamente sozinha no imenso casar\u00e3o. Henri e seu criado desapareceram. Depois, apesar de todas as tentativas para deixar o local, Alice n\u00e3o consegue partir e retomar seu caminho. N\u00e3o h\u00e1 mais sa\u00eddas \u2013 o parque est\u00e1 fechado por um muro circular.<\/p>\n<p><\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"760\" height=\"397\" class=\"wp-image-6806\" src=\"https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/alice-14.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/alice-14.jpg 760w, https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/alice-14-300x157.jpg 300w, https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/alice-14-650x340.jpg 650w\" sizes=\"(max-width: 760px) 100vw, 760px\" \/><\/figure>\n<p><\/p>\n<p>Como um ratinho de laborat\u00f3rio e, \u00e0s vezes, parecendo uma son\u00e2mbula, Alice vagueia por toda a propriedade, em busca de um modo de sair daquela esp\u00e9cie de labirinto. Por\u00e9m, num t\u00edpico jogo de gato e rato, ela, a todo momento, esbarra nas paredes daquele espa\u00e7o inusitado e perturbador.<\/p>\n<p><\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"640\" height=\"421\" class=\"wp-image-6807\" src=\"https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/alice-15.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/alice-15.jpg 640w, https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/alice-15-300x197.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/figure>\n<p><\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"640\" height=\"416\" class=\"wp-image-6808\" src=\"https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/alice-16.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/alice-16.jpg 640w, https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/alice-16-300x195.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/figure>\n<p><\/p>\n<p>Em certo instante de sua deambula\u00e7\u00e3o, que acontece sempre \u00e0 luz do dia, Alice se desnuda. Por completo. Seu esbelto corpo de curvas perfeitas surge esplendoroso \u00e0 nossa frente, como se fosse uma pintura Renascentista ou Pr\u00e9-Rafaelita. No entanto, em nenhum momento desta sequ\u00eancia, nos recordamos de que aquele corpo de rosto bonito e expressivo, seios em forma de pera e longas pernas pertence \u00e0 atriz Sylvia Kristel. Nem nos lembramos da personagem Emmanuelle e suas estripulias sexuais. Enfim, Chabrol n\u00e3o usou a nudez da sua hero\u00edna como um apelo er\u00f3tico\/sexual. Usou-o, sim, para demonstrar toda a fragilidade de Alice, diante de um ambiente cada vez mais il\u00f3gico e apavorante.<\/p>\n<p><\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"640\" height=\"418\" class=\"wp-image-6809\" src=\"https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/alice-17.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/alice-17.jpg 640w, https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/alice-17-300x196.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/figure>\n<p><\/p>\n<p>Alice prossegue, de surpresa em surpresa, pelo universo paralelo, at\u00e9 que, finalmente, os port\u00f5es se abrem outra vez.<br>Ent\u00e3o, estranhamente, o mundo l\u00e1 fora se mostra inquietante para Alice. E ela acaba retornando ao casar\u00e3o, onde o mesmo e simp\u00e1tico anci\u00e3o da noite anterior a acolhe novamente.<\/p>\n<p><\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"697\" class=\"wp-image-6810\" src=\"https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/alice-18-1024x697.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/alice-18-1024x697.jpg 1024w, https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/alice-18-300x204.jpg 300w, https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/alice-18-768x523.jpg 768w, https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/alice-18-1536x1046.jpg 1536w, https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/alice-18-650x442.jpg 650w, https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/alice-18.jpg 1594w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n<p><\/p>\n<p><em>Sylvia Kristel e Charles Vanel, numa cena de<\/em> Alice ou A \u00daltima Fuga<em>.<\/em><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Segundo Claude Chabrol, <em>Alice ou A \u00daltima Fuga<\/em> \u00e9 uma homenagem a um dos grandes mestres do Cinema Fant\u00e1stico: Fritz Lang (1890-1976). <em>\u201cDediquei o<\/em> <em>filme a Lang\u201d<\/em>, revelou Chabrol, <em>\u201cporque resolvi me tornar cineasta depois de assistir ao seu<\/em> <em>incompar\u00e1vel<\/em> O Testamento do Dr. Mabuse<em>, realizado na d\u00e9cada de 1930. Para mim, Lang sempre foi e continua a ser o grande modelo em minha tentativa de alcan\u00e7ar o despojamento absoluto.\u201d<\/em><\/p>\n<p><\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"600\" height=\"856\" class=\"wp-image-6811\" src=\"https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/alice-19.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/alice-19.jpg 600w, https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/alice-19-210x300.jpg 210w, https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/alice-19-456x650.jpg 456w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/figure>\n<p><\/p>\n<p><em>Capa de um DVD brasileiro de <\/em>Alice ou A \u00daltima Fuga.<br><em>O DVD foi lan\u00e7ado pela Lume Filmes.<\/em><\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong><em>Alice ou A \u00daltima Fuga<\/em><\/strong> (<strong><em>Alice ou la derni\u00e8re fugue<\/em><\/strong>, Fran\u00e7a, 1977, 93\u2019)<br><b>D<\/b><strong>ire\u00e7\u00e3o:<\/strong> Claude Chabrol<br><b>R<\/b><strong>oteiro:<\/strong> Claude Chabrol<br><b>F<\/b><strong>otografia:<\/strong> Jean Rabier<br><b>M<\/b><strong>ontagem:<\/strong> Monique Fardoulis<br><b>E<\/b><strong>lenco:<\/strong> Sylvia Kristel (Alice Carroll), Charles Vanell (Henri Vergennes), Bernard Rousselet (o marido de Alice), Jean Carmet (Colas), Andr\u00e9 Dussollier, Fernand Ledoux, Fran\u00e7ois Perrot, Thomas Chabrol, Catherine Drusy, Katia Romanoff, Jean Cherlian, Jean Le Boulbar, C\u00e9cile Maistre, Louise Rioton, No\u00ebl Simsolo<\/p>\n<p><\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"735\" height=\"498\" class=\"wp-image-6812\" src=\"https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/alice-20.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/alice-20.jpg 735w, https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/alice-20-300x203.jpg 300w, https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/alice-20-650x440.jpg 650w\" sizes=\"(max-width: 735px) 100vw, 735px\" \/><\/figure>\n<p><\/p>\n<p>\u201cPara Andr\u00e9 Breton e os surrealistas, a menina Alice (criada por Lewis Carroll) era uma figura de revolta, um desafio \u00e0s opress\u00f5es disfar\u00e7adas do cotidiano. Inicialmente, o filme de Chabrol parece fazer parte dessa tradi\u00e7\u00e3o surrealista, apresentando Alice Carroll como uma rebelde. Suas primeiras palavras s\u00e3o <em>\u201cnon, merci\u201d<\/em>, e sua primeira a\u00e7\u00e3o \u00e9 deixar o marido. Pega em uma tempestade, enquanto dirige. Refugia-se em uma casa de campo (perto da rodovia), aparentemente povoada pelo senhor do feudo e seu criado. Presa neste <em>\u201cpa\u00eds das maravilhas\u201d<\/em>, ela responde com sil\u00eancio, recusando-se a se envolver em um discurso que a define e a delimita.<\/p>\n<p><\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"794\" height=\"462\" class=\"wp-image-6813\" src=\"https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/alice-22.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/alice-22.jpg 794w, https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/alice-22-300x175.jpg 300w, https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/alice-22-768x447.jpg 768w, https:\/\/cauim.org\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/alice-22-650x378.jpg 650w\" sizes=\"(max-width: 794px) 100vw, 794px\" \/><\/figure>\n<p><\/p>\n<p>Quando assistimos pela segunda vez a&nbsp;<em>Alice ou A \u00daltima Fuga<\/em>, fica claro que o Pa\u00eds das Maravilhas de Chabrol n\u00e3o \u00e9 o local de brincadeira e experimenta\u00e7\u00e3o de Lewis Carroll, mas um campo de testes ideol\u00f3gicos, um portal existencial. Aqui, Alice \u00e9 uma figura liminar. Ela \u00e9 vista pela primeira vez em uma porta, posicionada entre seu marido e seu ambiente dom\u00e9stico e a sa\u00edda pela qual ela sair\u00e1. Este \u00e9 o primeiro de muitos limiares ou portais que Alice cruza, ou que bloqueiam seu progresso, ou atrav\u00e9s dos quais ela \u00e9 enquadrada por outros. A pr\u00f3pria Alice \u00e9 pega naquele espa\u00e7o intermedi\u00e1rio entre a velha vida que ela est\u00e1 deixando e a nova que ainda est\u00e1 para se materializar. Grande parte do filme \u00e9 filmado no crep\u00fasculo prateado do amanhecer ou do anoitecer, e o ponto de vista do filme muda enervantemente da subjetividade de Alice para o olhar n\u00e3o atribu\u00eddo que a sujeita.\u201d<br><strong>Darragh O&#8217;Donoghue<\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<p><\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Marco Aur\u00e9lio LucchettiEdi\u00e7\u00e3o: Marco Aur\u00e9lio Lucchetti Sylvia Maria Kristel, ou simplesmente Sylvia [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":6830,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[60],"tags":[],"class_list":["post-6791","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cinematografo"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v21.4 - 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