CINEMA & LITERATURA – PROGRAMAÇÃO DO MÊS DE AGOSTO DE 2026

O Cauim, o cineclube que promove cultura e cidadania em Ribeirão Preto, prossegue com a exibição de filmes baseados em clássicos da Literatura Brasileira.
Após a exibição de cada filme, uma breve palestra do prof. dr. Marco Aurélio Lucchetti.
Lembrando: o Cauim está localizado no número 135 da Rua Olavo Bilac, pertinho do centro de Ribeirão Preto.
Eis a Programação completa do mês agosto.
04/08/2026 – 19h30
La hora de la estrella (Brasil, 1985, 96’)
Direção: Suzana Amaral
Elenco: Marcélia Cartaxo, José Dumont, Tamara Taxman, Fernanda Montenegro, Denoy de Oliveira, Lizete Negreiros, Umberto Magnani, Claudia Resende, Maria do Carmo Soares
O filme tem classificação indicativa de 12 anos.
A Hora da Estrela é uma bem-sucedida adaptação do romance homônimo de Clarice Lispector (nascida Chaya Pinkhasivna Lispector, 1920-1977).
O longa narra a história de Macabéa, uma jovem alagoana ingênua e semianalfabeta. Ela é órfã, sozinha no mundo; e, aos dezenove anos de idade, vem do Nordeste tentar a vida na selva de pedra da cidade de São Paulo. Trabalhando como datilógrafa e morando em um quarto compartilhado, Macabéa é invisível para a sociedade, alimentando-se de cachorros-quentes e sonhos simples.
A direção sensível de Suzana Amaral (1932-2020) capta a solidão e a delicadeza da protagonista, sem cair no sentimentalismo barato, equilibrando a dureza da vida urbana com uma sutil poesia do cotidiano.
Marcélia Cartaxo entrega uma atuação magistral e inesquecível no papel principal, desempenho que lhe rendeu o prestigiado Urso de Prata de Melhor Atriz no Festival de Berlim.
Em suma, a obra é um retrato comovente e profundo sobre a marginalização, a busca pela identidade e o direito à existência na periferia social.

Marcélia Cartaxo e José Dumont, numa cena de La hora de la estrella.
11/08/2026 – 19h30
Sargento Getúlio (Brasil, 1983, 85’)
Direção: Hermano Penna
Etejido: Lima Duarte, Fernando Bezerra, Orlando Vieira, Flávio Porto, Inês Maciel, Antônio Leite
O filme tem classificação indicativa de 16 anos.
Sargento Getúlio, adaptado da famosa obra literária de João Ubaldo Ribeiro (João Ubaldo Osório Pimentel Ribeiro, 1941-2014), é um clássico visceral e instigante do cinema brasileiro.
O longa-metragem acompanha a saga de Getúlio, um sargento truculento e intransigente encarregado de conduzir um preso político através do árido sertão sergipano, atendendo às ordens de um chefe político local. Ao longo da árdua travessia, as alianças políticas mudam e a ordem inicial é revogada. Porém, o sargento, movido por um sentido cego de dever e honra moral, recusa-se a abandonar a missão.
A direção de Hermano Penna utiliza uma estética crua, com planos contemplativos e um ritmo sufocante, para examinar a violência institucionalizada e o coronelismo no Nordeste.
Lima Duarte (pseudônimo de Ariclenes Venâncio Martins) entrega uma performance antológica na pele do protagonista, construindo uma figura complexa, simultaneamente opressora e trágica, cuja brutalidade reflete o próprio ambiente hostil ao seu redor.
Sargento Getúlio permanece como uma reflexão contundente e atual sobre a obediência cega, o autoritarismo e as contradições da formação política do Brasil.

Lima Duarte, em Sargento Getúlio.
18/08/2026 – 19h30
Inocência (Brasil, 1983, 115’)
Direção: Walter Lima Jr.
Elenco: Fernanda Torres, Edson Celulari, Sebastião Vasconcelos, Fernando Torres, Ricardo Zambelli, Chico Diaz, Chica Xavier, Rainer Rudolph, Manfredo Colassanti
O filme tem classificação indicativa de 12 anos.
Baseado na obra literária homônima do Visconde de Taunay (Alfredo Maria Adriano d’Escragnolle Taunay, 1843-1899), o filme Inocência é um marco delicado e poético do cinema nacional.
Ambientado no interior do Mato Grosso durante o século 19, o longa acompanha o amor proibido e trágico entre a jovem Inocência e o médico itinerante Cirino. O pai da jovem, o rígido Martinho Pereira, opõe-se ao romance por ter prometido a mão da filha a um rude sertanejo local.
Interpretada de forma magistral por Fernanda Torres, em um desempenho maduro que revelou todo o seu talento para o país, a protagonista personifica a pureza, em uma sociedade profundamente patriarcal, opressora e arcaica.
Com uma fotografia contemplativa, assinada por Pedro Farkas, uma trilha sonora envolvente (de Wagner Tiso) e um rigoroso cuidado de reconstituição histórica, Inocência é um filme lírico sobre o desejo de liberdade sufocado pelas convenções sociais. Em suma, a fita permanece como um retrato emocionante do romantismo brasileiro, impulsionado pela atuação inesquecível e tocante de Fernanda Torres.

Edson Celulari e Fernanda Torres, numa cena de Inocência.
25/08/2026 – 19h30
Os Óculos de Pedro Antão (Brasil, 2008, 50’)
Direção: Adolfo Rosenthal
Elenco: Michel Bercovitch, Bruno Mello, Karen Marinho
Participação Especial: Luiza Tomé & Roberto Pìrillo
O filme tem classificação indicativa de 14 anos.
Pedro recebe a visita de um de seus amigos, Mendonça, que lhe pede para acompanhá-lo para abrir a casa que recebera de herança de seu tio, que falecera alguns meses antes de forma misteriosa. À meia-noite, os dois amigos entram no casarão de aspecto lúgubre. Munido dos elementos que encontra no caminho, Pedro, tal qual um detetive, consegue compor a história do final de vida do finado, que parece ter tido um romance proibido com uma jovem.
O filme é baseado em conto homônimo escrito por Machado de Assis (Joaquim Maria Machado de Assis, 1839-1908) e que foi publicado, de forma seriada, no Jornal das Famílias, entre março e maio de 1874. 
Nós do Cauim esperamos por você.